Aquela Estranha

Aqueles dias em que olhava no espelho e não me via

Fazia tanto tempo que usava aquela fantasia, que já nem sabia

Será que queria mesmo me encontrar? Nada me refletia

Era por meio daquele personagem que eu garantia o pão de cada dia

Sendo aquela estranha é que eu subsistia,

Num mundo em que meu corpo não cabia

Mas não sei qdo foi que eu, cansada de ser outra, rasguei a fantasia

Nasci de dentro de mim, talvez um pouco tardia, mas ainda valia

Revejo as imagens daquela estranha, com medo de que ela volte um dia

Vestida, de novo, daquele corpo que não me pertencia

Sufocando uma ancestralidade, que graças aos orixás, não sucumbia

Hoje me encontro ali, talvez não seja a mesma amanhã, mas pq seria?

Na verdade só espero ser mais eu,

Os Meus

As Minhas

 

 

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Sobre Cauane Maia

Feminista negra Interseccional, soteropaulistana, percussionista das Cores de Aidê, integrante do Coletivo Negro 4P: Poder Para o Povo Preto, candomblecista, mestranda em antropologia social, bacharel em administração, graduanda em economia.
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